Desconfiar.

Olhar por cima do ombro constantemente porque podemos ser apanhados. Uma vida de pé numa areia quente, de ar abafado. Provavelmente de receio do quanto se irá ganhar e se isso será suficiente. 

Olhar para os outros (muitos familiares suponho) e perceber que temos que cumprir a nossa quota e olhar pelos demais. 

Estar atento aos estrangeiros, a qualquer vislumbre de interesse, qualquer microsegundo de olhar mais demorado implica falar, gesticular e aprisionar o pouco interesse dos que nada lhe dizem.

Um verão, apenas umas semanas por ano para poderem acrescentar valor ao que possam ter. Um verão para deixarem ser absorvidos por este caminho de poucos metros incessantemente, como se passar mais de dez vezes pudesse ser o ponto onde irá alterar todo o interesse,

Confesso que estive à beira de comprar por pena a alguns meninos. Mas sempre tive horror a ter pena, nunca quis que a tivessem de mim.

Fazem este intenso e diário trabalho sem diminuir o ritmo. Parando por poucos minutos quando lhes são dadas algumas pedras de gelo pelos colaboradores do hotel ou um gelado muito às escondidas.


E continuam o seu caminho a desconfiar.

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